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Fam.Mosling

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Vin

 

 

 

 

 

M

Bendito Vinho Tinto!

 

 

 

Surpreendidos, 35 milhões de americanos se inteiraram em 1990 do que em ciência se conhece como "o paradoxo francês". Em um popular programa de televisão os doutores Curto Ellison e Serge Renauld explicaram que apesar de terem os mesmos níveis de colesterol que os americanos, a taxa de mortalidade dos franceses por enfermidades cardiovasculares corresponde a um terço da mesma taxa observada nos Estados Unidos.

Segundo especialistas, a causa desta aparente contradição é muito simples: são as vantagens que outorga o hábito francês de desfrutar de algumas taças de vinho (entre 300 e 400 ml) junto às refeições.

Estas interessantes – e agradáveis – declarações desencadearam um grande interesse de confirmar o papel "protetor" do vinho, que se viu reforçado pela proposição da "hipótese oxidativa" da mesma época. De acordo com esta tese, na geração da arteriosclerose é dado um importante papel à oxidação das partículas de "colesterol mau", que justamente o vinho, por seu caráter antioxidante pode prevenir.

 

Mistérios da Oxidação

Todo esse barulho sobre o vinho motiva à uma série de investigações sobre o tema que demonstam a riqueza do vinho em antioxidantes, e como esses compostos passam para o sangue, onde permanecem por horas, proporcionando proteção contra a oxidação das partículas LDL, conhecidas como o fatídico "colesterol mau", que se deposita nas artérias dificultando a circulação.

Os radicais livres são os vilões nos processos de oxidação que podem dar lugar a arteriosclerose. Se trata de partículas tão ansiosas de superar seu desequilíbrio atômico que não vacilam em "roubar" elétrons das partículas vizinhas e, desta forma acabam "oxidando", deixando-as instáveis e iniciando, assim, uma degradação em cadeia.

Normalmente, nosso organismo funciona com processos de combustão interna que utilizam oxigênio e produzem os malignos radicais livres. É impossível que não haja um certo nível de radicais livres. É como pedir à uma caldeira que funcione sem produzir nenhuma corrosão. Há a necessidade de combater a esse processo através dos antioxidantes.

Que dano produz realmente esta temida "oxidação" nas artérias, de acordo com a teoria oxidativa?

Ocorre que o plasma do sangue, depois que a pessoa come, torna-se espesso poque transporta pequenas gotas de gordura, as lipoproteínas, que podem ser de vários tipos. Especialmente as lipoproteínas LDL (de baixa densidade, também chamadas "colesterol mau") levam o colesterol desde o fígado até todos os tecidos. Mas estas LDL podem oxidar-se no caminho, porque sua composição muda, e essas lipoproteínas acabam por se depositar nas paredes das artérias. Desta forma se origina uma placa que com o passar dos anos aumenta de volume, acumulando mais células carregadas de colesterol, o que gera problemas cardiovasculares.

Se houvesse um perfeito sistema antioxidante as LDL não se oxidariam e nunca chegariam a depositar-se nas paredes das artérias. Daí a importância das investigações sobre a presença de antioxidantes no vinho e a absorção desta benéficas - e gostosas - substâncias no corpo humano.

 

"O ideal de consumo do vinho tinto é de uma taça diária para a mulher e duas para o homem"

 

Nem todas as bebidas alcoólicas possuem os benefícios do vinho tinto em matéria de saúde. De acordo com os estudos realizados na Dinamarca, a taxa de mortalidade, por qualquer causa, caiu nos consumidores moderados de vinho, não havendo mudanças nos consumidores de cerveja e aumenta nos de destilados como whisky e tequila.

A chave parece estar na composição do vinho, cuja riqueza proveniente de duas fontes básicas: a uva e a fermentação. De todos os componentes que aparecem neste processo, os especialistas se interessam especialmente pelos POLIFENOLES, um grande grupo de compostos presentes também em vegetais como a cebola, cuja estrutura química a torna numa importante oxidante. Agora, entre as distintas classes de vinho, o tinto é especialmente saudável, pois contém uma quantidade bem mais elevada de POLIFENOLES, que se desprendem da casca da uva e da semente durante a vinificação no mosto.

Dentro da grande família dos POLIFENOLES, é o subgrupo dos FLAVONOIDES o absorvido pelo corpo humano. Especialistas escoceses estavam realizando estudos nesta matéria quando detectaram que os maiores níveis de FLAVONOIDES correspondiam aos vinhos tintos chilenos, um achado que motivou, inclusive, várias matérias da imprensa inglesa.

 

Bendito Vinho Tinto Chileno

Sessenta e cinco amostras de vinhos tintos provenientes de uma dezena de países foram analisadas pela equipe científica da Universidade de Glasgow, Inglaterra. Os resultados das investigações realizadas por essa equipe favoreceram os produtores chilenos, pois os vinhos chilenos - especialmente a variedade Cabernet Sauvignon - obtiveram os maiores índices mundiais de FLAVONOIDES.

As investigações de equipe de cientistas da Universidade de Glasgow detectou que altas porcentagens de FLAVONOIDES correspondiam a uvas pequenas com a casca espessa como a variedade Cabernet Sauvignon. Ademais, há uma relação com os climas ensolarados, como o do Chile, onde a uva nao é retirada antes de amadurecer por medo do mau tempo; alcançando, assim um desenvolvimento siginificativo da casca espessa rica em FLAVONOIDES. Também há a hipótese de que influem as modernas técnicas vitivinícolas. Por exemplo, temos o caso da Bulgária que tem condições climáticas similares ao Chile e , mesmo assim, obteve uma pontuação muito baixa quanto à presença de FLAVONOIDES. A diferença dos vinhedos chilenos, que utilizam técnicas muito avançadas e no caso bulgáro se utilizam de procedimentos bastante antigos.

Para quer apareçam os FLAVONOIDES é fundamental que o processo de maceração seja lento e cuidadoso, porque é a casca da uva que contém antioxidantes. Um vinho de elaboração rápida, como o francês "beaujolais", tem baixo teor de FLAVONOIDES.

É possível que os raios do sol recebidos de forma mais intensa no Chile proporcionem que as uvas desenvolvam uma casca mais espessa. Também pode incidir a diferença de temperatura entre o dia e a noite que é característica própria do Chile.

É possível que os dados desse estudo, amplamente divulgados pela imprensa inglesa, tenham surtido efeitos diretamente proporcional ao consumo de vinho tinto na Inglaterra. Há 18 meses o consumo de vinho tinto na Inglaterra era de 45% hoje esse número está em 55%.

 

Os Campeões

VARIEDADE

ANO

ORIGEM

NÍVEL DE FLAVONOIDES mg/l

Cabernet Sauvignon

1994

Chile

41.6

Cabernet Sauvignon

1995

Chile

41.3

Minervois

-

França

36.0

Merlot

1994

Chile

35.8

Cabernet Sauvignon

1992

Califórnia

3