Segundo especialistas, a causa desta
aparente contradição é muito simples: são as vantagens que outorga o hábito francês
de desfrutar de algumas taças de vinho (entre 300 e 400 ml) junto às refeições.
Estas interessantes e
agradáveis declarações desencadearam um grande interesse de confirmar o papel
"protetor" do vinho, que se viu reforçado pela proposição da "hipótese
oxidativa" da mesma época. De acordo com esta tese, na geração da arteriosclerose
é dado um importante papel à oxidação das partículas de "colesterol mau",
que justamente o vinho, por seu caráter antioxidante pode prevenir.
Mistérios da Oxidação
Todo esse barulho sobre o vinho motiva à uma série de
investigações sobre o tema que demonstam a riqueza do vinho em antioxidantes, e como
esses compostos passam para o sangue, onde permanecem por horas, proporcionando proteção
contra a oxidação das partículas LDL, conhecidas como o fatídico "colesterol
mau", que se deposita nas artérias dificultando a circulação.
Os radicais livres são os vilões nos processos de oxidação
que podem dar lugar a arteriosclerose. Se trata de partículas tão ansiosas de superar
seu desequilíbrio atômico que não vacilam em "roubar" elétrons das
partículas vizinhas e, desta forma acabam "oxidando", deixando-as instáveis e
iniciando, assim, uma degradação em cadeia.
Normalmente, nosso organismo funciona com processos de
combustão interna que utilizam oxigênio e produzem os malignos radicais livres. É
impossível que não haja um certo nível de radicais livres. É como pedir à uma
caldeira que funcione sem produzir nenhuma corrosão. Há a necessidade de combater a esse
processo através dos antioxidantes.
Que dano produz realmente esta temida "oxidação"
nas artérias, de acordo com a teoria oxidativa?
Ocorre que o plasma do sangue, depois que a pessoa come,
torna-se espesso poque transporta pequenas gotas de gordura, as lipoproteínas, que podem
ser de vários tipos. Especialmente as lipoproteínas LDL (de baixa densidade, também
chamadas "colesterol mau") levam o colesterol desde o fígado até todos os
tecidos. Mas estas LDL podem oxidar-se no caminho, porque sua composição muda, e essas
lipoproteínas acabam por se depositar nas paredes das artérias. Desta forma se origina
uma placa que com o passar dos anos aumenta de volume, acumulando mais células carregadas
de colesterol, o que gera problemas cardiovasculares.
Se houvesse um perfeito sistema antioxidante as LDL não se
oxidariam e nunca chegariam a depositar-se nas paredes das artérias. Daí a importância
das investigações sobre a presença de antioxidantes no vinho e a absorção desta
benéficas - e gostosas - substâncias no corpo humano.
"O ideal de
consumo do vinho tinto é de uma taça diária para a mulher e duas para o homem"
Nem todas as bebidas alcoólicas possuem os benefícios do
vinho tinto em matéria de saúde. De acordo com os estudos realizados na Dinamarca, a
taxa de mortalidade, por qualquer causa, caiu nos consumidores moderados de vinho, não
havendo mudanças nos consumidores de cerveja e aumenta nos de destilados como whisky e
tequila.
A chave parece estar na composição do vinho, cuja riqueza
proveniente de duas fontes básicas: a uva e a fermentação. De todos os componentes que
aparecem neste processo, os especialistas se interessam especialmente pelos POLIFENOLES,
um grande grupo de compostos presentes também em vegetais como a cebola, cuja estrutura
química a torna numa importante oxidante. Agora, entre as distintas classes de vinho, o
tinto é especialmente saudável, pois contém uma quantidade bem mais elevada de
POLIFENOLES, que se desprendem da casca da uva e da semente durante a vinificação no
mosto.
Dentro da grande
família dos POLIFENOLES, é o subgrupo dos FLAVONOIDES o absorvido pelo corpo humano.
Especialistas escoceses estavam realizando estudos nesta matéria quando detectaram que os
maiores níveis de FLAVONOIDES correspondiam aos vinhos tintos chilenos, um achado que
motivou, inclusive, várias matérias da imprensa inglesa.
| Bendito Vinho
Tinto Chileno |
 |
Sessenta e cinco amostras de vinhos tintos provenientes de uma
dezena de países foram analisadas pela equipe científica da Universidade de Glasgow,
Inglaterra. Os resultados das investigações realizadas por essa equipe favoreceram os
produtores chilenos, pois os vinhos chilenos - especialmente a variedade Cabernet
Sauvignon - obtiveram os maiores índices mundiais de FLAVONOIDES.
As investigações de equipe de cientistas da Universidade de
Glasgow detectou que altas porcentagens de FLAVONOIDES correspondiam a uvas pequenas com a
casca espessa como a variedade Cabernet Sauvignon. Ademais, há uma relação com os
climas ensolarados, como o do Chile, onde a uva nao é retirada antes de amadurecer por
medo do mau tempo; alcançando, assim um desenvolvimento siginificativo da casca espessa
rica em FLAVONOIDES. Também há a hipótese de que influem as modernas técnicas
vitivinícolas. Por exemplo, temos o caso da Bulgária que tem condições climáticas
similares ao Chile e , mesmo assim, obteve uma pontuação muito baixa quanto à presença
de FLAVONOIDES. A diferença dos vinhedos chilenos, que utilizam técnicas muito
avançadas e no caso bulgáro se utilizam de procedimentos bastante antigos.
Para quer apareçam os
FLAVONOIDES é fundamental que o processo de maceração seja lento e cuidadoso, porque é
a casca da uva que contém antioxidantes. Um vinho de elaboração rápida, como o
francês "beaujolais", tem baixo teor de FLAVONOIDES.
É possível que os
raios do sol recebidos de forma mais intensa no Chile proporcionem que as uvas desenvolvam
uma casca mais espessa. Também pode incidir a diferença de temperatura entre o dia e a
noite que é característica própria do Chile.
É possível que os
dados desse estudo, amplamente divulgados pela imprensa inglesa, tenham surtido efeitos
diretamente proporcional ao consumo de vinho tinto na Inglaterra. Há 18 meses o consumo
de vinho tinto na Inglaterra era de 45% hoje esse número está em 55%.
Os Campeões
VARIEDADE |
ANO |
ORIGEM |
NÍVEL DE
FLAVONOIDES mg/l |
| Cabernet Sauvignon |
1994 |
Chile |
41.6 |
| Cabernet Sauvignon |
1995 |
Chile |
41.3 |
| Minervois |
- |
França |
36.0 |
| Merlot |
1994 |
Chile |
35.8 |
| Cabernet Sauvignon |
1992 |
Califórnia |
3 |